Expansão do crédito estruturado impulsiona o financiamento dos setores de saúde e educação, aponta a ID CTVM

Emil Vardensen
Emil Vardensen
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ID CTVM

Redes de ensino, hospitais e clínicas ampliam o uso de fundos de investimento e notas comerciais para financiar expansão de capacidade, tecnologia e infraestrutura física

Os setores de saúde e educação figuram entre as frentes de maior necessidade de capital de longo prazo da economia brasileira. Redes hospitalares precisam financiar a ampliação de leitos, a aquisição de equipamentos de diagnóstico e a modernização de infraestrutura clínica, enquanto instituições de ensino investem em novos campi, tecnologia educacional e expansão da oferta de vagas. Diante do custo elevado e do prazo de maturação desses investimentos, uma parcela crescente dessas empresas passou a recorrer a estruturas de crédito privado como alternativa ao financiamento bancário tradicional.

Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) lastreados em mensalidades escolares, recebíveis de convênios médicos e contratos de prestação de serviços de saúde figuram entre as estruturas mais utilizadas por empresas desses setores. Também ganham espaço as Notas Comerciais, que permitem a captação direta de recursos junto a investidores qualificados para financiar capital de giro e projetos de expansão, sem o custo e a burocracia associados a uma emissão tradicional de debêntures.

Recebíveis previsíveis atraem investidores institucionais

Um dos fatores que explicam o interesse crescente de gestoras e investidores institucionais por esse tipo de operação é a previsibilidade dos fluxos de pagamento característicos dos setores de saúde e educação. Mensalidades escolares e reembolsos de convênios médicos costumam apresentar padrões de recorrência bem estabelecidos, o que reduz a volatilidade da carteira em comparação com outros segmentos de crédito privado mais sujeitos a sazonalidade.

Para Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM, essa previsibilidade tem tornado os setores de saúde e educação cada vez mais relevantes dentro do universo de ativos elegíveis para fundos estruturados:

“Os recebíveis de saúde e educação têm características muito particulares. Existe recorrência, existe uma base de pagadores pulverizada e existe, na maior parte dos casos, um histórico de inadimplência relativamente baixo se comparado a outros setores da economia. Isso torna esses ativos atrativos para investidores que buscam previsibilidade, mas exige do administrador fiduciário um conhecimento profundo das particularidades regulatórias de cada segmento, como as normas que regem planos de saúde e instituições de ensino”.

A ID CTVM atua na administração fiduciária e custódia de fundos que financiam empresas desses setores, o que envolve a validação dos contratos que lastreiam cada operação, o acompanhamento de indicadores de inadimplência específicos do setor e a conciliação bancária dos fluxos de pagamento recebidos de mensalidades e reembolsos.

Particularidades regulatórias exigem expertise setorial

O financiamento de empresas de saúde e educação por meio de fundos estruturados envolve camadas regulatórias que vão além das exigências gerais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aplicáveis a qualquer FIDC. Operadoras de planos de saúde, por exemplo, estão sujeitas à regulação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), enquanto instituições de ensino superior respondem a exigências específicas do Ministério da Educação relacionadas a autorização de funcionamento e cadastro de cursos.

Essa sobreposição regulatória exige que o administrador fiduciário responsável pela estruturação da operação compreenda tanto as regras gerais do mercado de capitais quanto as particularidades setoriais que podem impactar a qualidade e a liquidez dos recebíveis utilizados como lastro. Um contrato de mensalidade escolar, por exemplo, pode ter características de cobrança e inadimplência distintas conforme o nível de ensino, a região do país e o perfil socioeconômico da base de alunos, informações que precisam ser incorporadas aos modelos de análise de risco utilizados na estruturação do fundo.

Expansão física e tecnológica impulsiona demanda por capital

Além do financiamento de capital de giro, redes de saúde e educação têm utilizado estruturas de crédito privado para viabilizar investimentos de maior porte, como a construção de novas unidades hospitalares, a aquisição de equipamentos de diagnóstico por imagem e a implementação de plataformas de ensino digital. Esses projetos costumam demandar capital de longo prazo, com cronogramas de maturação que podem se estender por vários anos, características que se alinham ao perfil de investidores institucionais dispostos a assumir prazos mais longos em troca de retornos consistentes.

A consolidação desses setores como frentes relevantes dentro do universo do crédito estruturado também reflete uma tendência mais ampla de diversificação da indústria de FIDCs brasileira, que ao longo dos últimos anos ampliou significativamente o leque de segmentos financiados, para além das estruturas tradicionais ligadas a recebíveis comerciais e industriais.

Infraestrutura fiduciária como suporte ao crescimento sustentável

À medida que hospitais, clínicas e instituições de ensino ampliam sua presença no mercado de capitais como emissores e cedentes de recebíveis, cresce também a responsabilidade dos administradores fiduciários e custodiantes responsáveis por garantir a governança dessas operações. A capacidade de auditar continuamente a qualidade dos lastros, acompanhar indicadores setoriais específicos e assegurar transparência aos investidores tende a se consolidar como fator determinante para sustentar o crescimento saudável do financiamento privado nos setores de saúde e educação no Brasil.

Sobre a ID CTVM

A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

 

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