CTNBio aprova cana com dupla resistência genética e abre nova fase na biotecnologia sucroenergética

Diego Velázquez
Diego Velázquez
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A biotecnologia aplicada à cana-de-açúcar deu um passo inédito no Brasil.

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança aprovou uma nova geração de cana geneticamente modificada desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira, batizada comercialmente de VerdPro2. O diferencial da variedade está em combinar, pela primeira vez em uma mesma planta, resistência à broca-da-cana e tolerância a herbicidas como o glifosato, características que até então eram tratadas separadamente em diferentes cultivares.

Uma praga que custa bilhões ao setor todos os anos

Para entender a relevância da aprovação, é preciso dimensionar o problema que a nova tecnologia busca resolver. A broca-da-cana está presente em praticamente todos os canaviais do país e provoca perdas estimadas em cerca de 8 bilhões de reais por ano ao setor sucroenergético brasileiro, afetando diretamente a produtividade, o peso da cana colhida e o teor de açúcar extraído de cada planta. Diante desse cenário, o desenvolvimento de uma variedade capaz de resistir simultaneamente à praga e permitir o uso mais eficiente de herbicidas representa um avanço técnico relevante para toda a cadeia produtiva.

Segundo o CTC, trata-se da primeira variedade de cana-de-açúcar do país a reunir duas tecnologias transgênicas em uma única planta. A empresa já havia lançado anteriormente uma versão resistente apenas à broca-da-cana, mas a combinação com a tolerância ao glifosato representa uma evolução significativa em termos de manejo, já que permite ao produtor controlar plantas daninhas de forma mais eficiente sem comprometer o desenvolvimento da cultura principal.

Expansão prevista para 14 variedades

A companhia já sinalizou planos ambiciosos para a nova tecnologia. Segundo o CTC, está prevista a criação de 14 variedades diferentes utilizando essa combinação de resistências, o que deve ampliar significativamente as opções disponíveis para produtores em diferentes regiões produtoras de cana do país, cada uma com características específicas de solo, clima e manejo.

A previsão da empresa é que a nova tecnologia chegue efetivamente ao mercado ainda na safra 2026/27, após a conclusão dos trâmites legais complementares à aprovação da CTNBio. Em uma primeira etapa, a variedade será introduzida junto a clientes selecionados da companhia, com acompanhamento técnico próximo. A estratégia da empresa é identificar as necessidades específicas de manejo de cada cliente e gerar dados em condições reais de cultivo antes de uma disseminação mais ampla da tecnologia.

O plantio de cana transgênica no Brasil vem em trajetória de crescimento acelerado nos últimos anos. Segundo dados do próprio CTC, a área ocupada por variedades transgênicas de cana saltou de 5% para 9% do total cultivado apenas na safra 2025/26, praticamente dobrando em um único ciclo produtivo. Esse ritmo de adoção sugere que a nova geração com dupla resistência genética pode encontrar terreno favorável entre produtores que já vinham utilizando a primeira geração da tecnologia.

Segurança biológica sob monitoramento constante

Segundo a Embrapa Agroenergia, organismos geneticamente modificados aplicados à cana seguem padrões rigorosos de biossegurança no Brasil, com histórico de zero liberação acidental registrada até o momento. Os testes de campo que embasaram a aprovação da nova variedade demonstraram redução de até 50% nas perdas causadas por ataques da broca-da-cana, sem impacto ambiental adverso identificado ao longo de mais de dez safras experimentais analisadas pela comissão técnica.

Segundo o CEO do CTC, César Barros, a aprovação da nova tecnologia se insere em uma estratégia mais ampla da companhia, que busca dobrar a produtividade da cana-de-açúcar brasileira até 2040. Essa meta combina avanços em genética e biotecnologia com novas formas de plantio e manejo agronômico, sinalizando que a aprovação da variedade com dupla resistência é apenas uma etapa dentro de um plano de inovação de longo prazo para o setor sucroenergético nacional.

O que produtores devem considerar antes de adotar a tecnologia

Especialistas do setor recomendam que produtores interessados na nova tecnologia monitorem de perto os custos das sementes certificadas, já que variedades transgênicas costumam apresentar preço superior às convencionais, além de avaliarem a adaptação regional de cada cultivar às condições específicas de sua propriedade. Outro ponto de atenção destacado por consultorias agronômicas é o risco de desenvolvimento de resistência das próprias pragas ao longo do tempo, o que reforça a importância de práticas de manejo integrado mesmo diante de variedades geneticamente mais resistentes.

Fonte: CNN Brasil | Forbes Agro

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