Plano Safra 2026/2027 chega com pressão recorde: setor exige R$ 623 bilhões e reformulação estrutural do crédito rural

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Com inadimplência rural no nível mais alto da história e mais de R$ 800 bilhões em passivo, entidades do agronegócio cobram do governo Lula um novo modelo de financiamento que garanta previsibilidade e chegue de fato ao produtor

O lançamento do Plano Safra 2026/2027 está previsto para julho, mas as negociações já dominam a pauta do agronegócio desde o início do ano. Desta vez, não se trata apenas de ampliar o volume de recursos: produtores, cooperativas e entidades do setor cobram uma reforma estrutural no modelo de financiamento agrícola, que acumulou distorções ao longo dos últimos ciclos e deixou o campo brasileiro exposto a riscos que o crédito subsidiado não conseguiu cobrir.

O agronegócio brasileiro chega ao segundo semestre de 2026 carregando um peso: inadimplência rural no nível mais alto já registrado e um passivo que supera R$ 800 bilhões. Esse cenário explica a intensidade das reivindicações apresentadas pelas principais entidades ao Ministério da Agricultura e Pecuária nos últimos meses. Agrolink

O que o setor exige

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entregou ao ministro André de Paula um documento com dez propostas prioritárias para o próximo ciclo. Entre os pontos centrais, a entidade pede a garantia de R$ 623 bilhões efetivos no Plano Agrícola e Pecuário 2026/2027, sendo R$ 104,9 bilhões destinados à agricultura familiar e R$ 518,2 bilhões à agricultura empresarial, com recursos exclusivos do crédito rural tradicional. CNA

Outro ponto que ganhou destaque nas discussões é o seguro rural. Ao contrário de países desenvolvidos, onde seguros amplos e subsidiados permitem que o produtor enfrente eventos climáticos extremos sem comprometer sua sobrevivência econômica, o Brasil segue na contramão. Em vez de ampliar a adesão, há uma queda acentuada no volume de contratações, impulsionada por cortes orçamentários, redução de subvenções e falta de políticas claras de incentivo. A CNA propõe garantir R$ 4 bilhões no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural como condição mínima para reequilibrar esse quadro. Fgv

O histórico que explica a insatisfação

No Plano Safra 2025/2026, o governo federal prometeu R$ 516,2 bilhões para a agropecuária. Na prática, o Tesouro Nacional conseguiu bancar a equalização de juros em apenas R$ 113,8 bilhões do total. Ou seja, mais de três quartos dos recursos anunciados ficaram no papel. Esse descompasso entre o valor anunciado na cerimônia de lançamento e o que efetivamente chegou aos produtores é o nó central da reforma que o setor reivindica. Agrolink

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, avaliou que o Plano Safra, na sua concepção atual, não tem mais capacidade de responder às demandas de uma agricultura do porte da brasileira. Ela elencou três fatores que se combinam para agravar a crise no campo: problemas climáticos, restrição de crédito e queda nos preços agrícolas.

A proposta de um modelo plurianual

Uma das mudanças mais defendidas pelo setor é a criação de um Plano Agrícola e Pecuário Plurianual, que substitua a lógica de anúncios anuais por uma política com previsibilidade de médio prazo. A CNA demonstra preocupação com o descompasso entre o orçamento anual e o ciclo do Plano Safra, que dificulta o planejamento das operações dos produtores, cooperativas e agentes financeiros. CNA

Para quem está no campo, a janela de espera até o lançamento oficial em julho é também um momento de preparação. Cooperativas como a Cresol recomendam que os produtores iniciem o processo de planejamento antes mesmo da abertura oficial, organizando documentos e elaborando projetos com antecedência para agilizar a análise das operações assim que os recursos forem liberados. RCN67

Fontes: CNA Brasil | Agrolink | FGV Agro

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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