O idoso está realmente frágil ou apenas perdeu condicionamento? Saiba agora com o Doutor Yuri Silva Portela

Emil Vardensen
Emil Vardensen
5 Min de leitura
Yuri Silva Portela

A redução da força e da disposição pode aparecer com o passar dos anos, mas nem sempre significa que o idoso esteja em um quadro de fragilidade, destaca o Doutor Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão. Uma pessoa pode apresentar perda de condicionamento após um período de sedentarismo e recuperar parte da capacidade física com mudanças adequadas na rotina. 

Quer entender como diferenciar fragilidade de uma simples perda de condicionamento na terceira idade? Leia mais a seguir e descubra quais sinais merecem atenção e quando é importante buscar avaliação.

O que diferencia a fragilidade da simples perda de condicionamento? Veja com o Doutor Yuri Silva Portela

A perda de condicionamento costuma estar relacionada à redução da prática de atividades físicas e à diminuição do uso da musculatura. Depois de um período de sedentarismo, por exemplo, subir escadas, caminhar distâncias maiores ou carregar objetos pode exigir mais esforço. Isso não significa necessariamente que exista fragilidade, principalmente quando a pessoa consegue recuperar desempenho gradualmente ao retomar atividades adequadas. A evolução da capacidade física após a retomada dos movimentos pode ajudar a compreender melhor o que está acontecendo.

A fragilidade, por outro lado, representa uma condição de maior vulnerabilidade. O organismo passa a ter menos reserva para enfrentar situações como uma infecção, uma internação ou outro episódio de estresse físico. Uma intercorrência que seria superada com relativa facilidade pode provocar uma perda significativa de funcionalidade em uma pessoa frágil. Por isso, seus sinais precisam ser analisados em conjunto, considerando diferentes aspectos da saúde e da capacidade funcional.

Com essa disposição, o Doutor Yuri Silva Portela pontua que a idade cronológica não é suficiente para definir a situação. Dois idosos com a mesma idade podem apresentar níveis muito diferentes de força, equilíbrio, mobilidade e independência. É justamente essa diversidade que torna necessária uma avaliação individualizada antes de concluir que determinada limitação é apenas consequência do envelhecimento. Observar a trajetória de cada pessoa ajuda a diferenciar uma redução de condicionamento de alterações que exigem maior atenção.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Quais sinais podem indicar fragilidade?

Algumas mudanças merecem atenção quando aparecem de maneira persistente ou associadas umas às outras. Cansaço frequente, redução da velocidade para caminhar, perda de força, diminuição da atividade física e perda de peso não intencional podem fazer parte de um quadro que precisa ser investigado. Conforme retrata o Doutor Yuri Silva Portela, a combinação desses sinais pode indicar uma redução das reservas do organismo e merece ser observada dentro do contexto de saúde de cada pessoa.

A dificuldade para realizar atividades cotidianas também oferece pistas importantes. Levantar-se de uma cadeira, caminhar, subir alguns degraus ou realizar tarefas domésticas são ações que ajudam a revelar como está a capacidade funcional. Quando essas atividades passam a exigir muito mais esforço ou deixam de ser realizadas, é importante entender o motivo. Comparar essas capacidades com o que o idoso conseguia fazer anteriormente pode ajudar a identificar mudanças funcionais de forma mais precisa.

Por que o sedentarismo pode confundir essa avaliação?

O sedentarismo pode produzir efeitos bastante visíveis na capacidade física. Quando o corpo é pouco utilizado, a força muscular e a resistência tendem a diminuir. Em idosos, esse processo pode ser ainda mais preocupante porque uma perda inicial de capacidade pode levar a menos movimento, criando um ciclo de inatividade e maior dificuldade para realizar tarefas.

É comum, então, que a própria limitação faça a pessoa se movimentar menos. Ela passa a evitar caminhadas porque se sente cansada, deixa de sair por medo de não conseguir acompanhar outras pessoas ou reduz atividades domésticas por considerar o esforço excessivo. Com o tempo, a redução do movimento pode aprofundar a perda de condicionamento.

O Doutor Yuri Silva Portela observa, dentro da perspectiva geriátrica, a importância de não analisar apenas um sintoma isoladamente. Entender como a pessoa se movimentava anteriormente, o que mudou e quais atividades ainda consegue realizar permite construir uma visão mais precisa. A partir daí, torna-se possível pensar em estratégias compatíveis com suas condições e necessidades.

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