O setor agropecuário brasileiro enfrenta a partir de 2026 um novo capítulo tributário. Com a reforma anunciada e aprovada, o produtor rural deve estar preparado para se adaptar a uma estrutura diferente de impostos e obrigações. Essa mudança não é apenas de regras fiscais, mas pode alterar profundamente a gestão da propriedade, o fluxo de caixa e o custo da produção. Por isso, entender os detalhes da reforma é essencial para manter a competitividade e sustentabilidade do negócio rural.
A transição começa com a substituição de tributos sobre consumo por um novo modelo de tributação. Os antigos impostos como ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI serão gradualmente substituídos por IBS e CBS, conforme previsto nas mudanças. Essa transformação pretende simplificar o sistema tributário, mas traz implicações diretas para produtores rurais, que precisarão ajustar sua contabilidade, emissão de notas fiscais e planejamento financeiro. A adaptação a esse novo regime fiscal será um desafio para quem produz no campo.
Para os produtores com faturamento anual até R$ 3,6 milhões existe a possibilidade de regime especial, o que ameniza um pouco o impacto da nova tributação. Mas para aqueles que ultrapassam esse limite, ou optam pelo regime regular, haverá incidência do CBS e do IBS, o que pode aumentar significativamente a carga tributária e exigir maior rigor contábil. Empresas maiores e produtores com escala precisam estar atentos a esse novo patamar tributário e preparar sua estrutura administrativa para lidar com ele.
A nova tributação sobre consumo atinge toda a cadeia produtiva. Isso significa que não apenas a venda final, mas também a compra de insumos agrícolas, maquinários e outros itens necessários para produção pode vir acompanhada de tributos maiores. Esse encarecimento pode pressionar os custos de produção, afetar margens de lucro e, consequentemente, repercutir no preço final dos produtos agropecuários. A sensibilidade do agronegócio a custos torna essa mudança particularmente relevante.
Outro ponto que muda profundamente é a burocracia e o processo de emissão de documentos fiscais. A identificação do produtor rural, muitas vezes pessoa física, será simplificada com a adoção de CNPJ ou cadastro fiscal unificado. Mas essa simplificação de identificação vem acompanhada de novas obrigações de emissão de nota fiscal e controle fiscal, o que exige sistemas adequados e boa organização administrativa. Quem não se adequar poderá enfrentar dificuldades para vender sua produção ou problemas com fiscalização.
O impacto do novo regime tributário também se estende à sucessão e ao planejamento de patrimônio. A tributação sobre doações e transmissões pode mudar, o que exige atenção de produtores que pretendem passar a propriedade para herdeiros. O planejamento sucessório e patrimonial torna-se ainda mais importante num contexto de maior carga fiscal e novas regras — a falta de preparação pode comprometer a continuidade do negócio familiar.
Diante de tantas mudanças, é essencial que o produtor rural invista em planejamento tributário e operacional. Avaliar o faturamento previsto, rever a estrutura de emissão fiscal, atualizar sistemas, adequar processos de compra de insumos e vendas, e buscar orientação especializada são passos fundamentais para se adaptar ao novo cenário. A antecipação e a organização podem evitar surpresas desagradáveis e preservar a rentabilidade do negócio rural.
Por fim, mesmo com os desafios impostos pela reforma, existe a oportunidade de modernizar a gestão no campo. Com ajustes na contabilidade, adoção de boas práticas fiscais e planejamento bem feito, o produtor rural pode transformar a reforma em um estímulo à profissionalização. O agronegócio evolui, e os produtores capazes de se adaptar estarão em melhor posição para enfrentar o futuro com segurança e competitividade.
Autor: Katrina Ludge

