Quem acompanha o mercado de fibras têxteis no campo brasileiro percebeu um movimento interessante nas últimas semanas: os preços do algodão subiram tanto internamente quanto lá fora, só que sem o volume de negócios que normalmente acompanharia essa valorização. Entender por que isso acontece ajuda produtores e compradores a se posicionarem melhor diante de um mercado que, à primeira vista, parece mais aquecido do que realmente está.
Alta gradual nos preços internos
De acordo com o boletim semanal da Conab sobre o comportamento do algodão, referente à primeira semana de agosto, o preço médio recebido pelo produtor em Mato Grosso ficou em R$ 130,22 por arroba, com alta de 0,4% em relação à semana anterior. Na Bahia, a pluma foi negociada a R$ 136,33 por arroba, avanço de 0,24% no mesmo período. Já no atacado paulista, sem considerar o ICMS, o preço chegou a R$ 138,90 por arroba, ganho de quase 0,8% na semana.
Lá fora, o movimento também foi de alta. A cotação da primeira entrega em Nova York atingiu 81,90 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o índice Cotlook A, referência global para o produto, ficou em 92,60 centavos. O Brasil ocupa posição estratégica nesse mercado, sendo hoje o principal fornecedor de algodão para a China, e as exportações brasileiras de pluma em julho cresceram mais de 20% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Ainda assim, o volume de negócios efetivamente fechados segue baixo. Compradores mantêm postura cautelosa, tentando pagar valores menores, enquanto vendedores dosam as ofertas na expectativa de preços ainda melhores. Alguns produtores, pressionados pela necessidade de liquidar estoques da safra anterior ou gerar caixa, acabaram flexibilizando preços, mas a posição firme de outra parte dos vendedores tem sustentado as cotações no patamar atual.
Colheita avança enquanto o mercado espera
Do ponto de vista da produção, a safra 2025/26 já tinha, até o início de agosto, 43,7% da área colhida, segundo o levantamento de campo da própria Conab. Esse ritmo de colheita, combinado com a cautela nas negociações, cria um cenário em que o produtor precisa equilibrar a necessidade de vender com a expectativa de preços mais favoráveis nas próximas semanas.
Para quem cultiva algodão, a lição prática desse momento é clara: acompanhar de perto os boletins semanais da Conab e os movimentos do mercado internacional pode fazer diferença na hora de decidir entre vender agora ou aguardar. Como o Brasil consolidou sua posição como fornecedor relevante para a China, qualquer sinal de mudança na demanda chinesa tende a se refletir rapidamente nos preços domésticos.
Enquanto isso, a combinação de valorização externa com liquidez doméstica restrita deve continuar pautando as rodas de negociação do algodão ao longo do segundo semestre, especialmente à medida que a colheita avança e mais produtores precisam definir seu volume de venda.
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