Veto da União Europeia à carne brasileira acende alerta no setor e pressiona governo a agir antes de setembro

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Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar proteínas animais ao bloco a partir de 3 de setembro; perda estimada pode chegar a US$ 2 bilhões por ano e coloca rastreabilidade no centro das negociações

O agronegócio brasileiro entrou em junho de 2026 digerindo uma notícia de peso: a União Europeia oficializou o veto às exportações de carne bovina, carne de frango, pescado, mel, carne equina e tripas do Brasil. A medida, publicada no diário oficial europeu após assinatura da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, passa a valer em 3 de setembro e coloca o setor diante de um prazo apertado para reverter a situação.

A justificativa europeia está relacionada ao controle do uso de antimicrobianos na pecuária. A legislação do bloco proíbe a importação de produtos de origem animal provenientes de sistemas que utilizem determinados antimicrobianos para promover crescimento ou aumentar o rendimento dos animais. As substâncias visadas incluem virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina. A Comissão Europeia considerou que o Brasil não apresentou garantias suficientes de que teria eliminado esses compostos de toda a cadeia produtiva destinada à exportação até a data-limite. Agência Brasil

O que está em jogo economicamente

Os números revelam a dimensão do problema. Estima-se que o Brasil exporte cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em proteínas ao bloco europeu. A exclusão do mercado europeu não afeta apenas os grandes frigoríficos: a cadeia inteira, dos produtores rurais aos trabalhadores das plantas de abate, sente os efeitos de uma restrição desse porte. Conjur

A estimativa no setor é de que a nova restrição pode gerar perda de quase US$ 2 bilhões por ano às exportações brasileiras. O impacto é agravado pelo fato de que o Brasil foi o único país retirado da lista europeia por esse motivo nesta rodada: Argentina, Paraguai e Uruguai, todos membros do Mercosul, continuam habilitados a exportar ao bloco europeu. Diário do Comércio

O que o governo fez e por que ainda não foi suficiente

Em abril de 2026, o Ministério da Agricultura e Pecuária publicou duas portarias proibindo o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento e vedando substâncias específicas em bovídeos, equídeos, abelhas e pescado. Nos dois casos, o governo vedou o uso, mas abriu uma janela de 180 dias para que empresas continuem usando eventuais estoques até outubro deste ano, extrapolando a data-limite de setembro imposta pela UE. Esse detalhe, segundo analistas, foi interpretado pela Comissão Europeia como ausência de garantia imediata, e não como conformidade. Diário do Comércio

O setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico com as autoridades competentes sobre o tema. Entidades como a Abiec e a ABPA sustentam que o Brasil possui um dos sistemas de rastreabilidade e inspeção mais robustos do mundo e que a carne brasileira atende às normas de mais de 170 países. Agência Brasil

Dois caminhos possíveis

Para voltar à lista de habilitados, o Brasil tem duas rotas: ampliar as restrições legais aos medicamentos ainda em uso ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade documental para provar, ao longo de toda a cadeia produtiva, a ausência das substâncias vetadas. A decisão da Comissão Europeia nota que o Brasil foi o único país retirado da lista por esse motivo, enquanto países como Armênia, Índia, Indonésia, Sérvia e Tanzânia enviaram as comprovações exigidas e foram aceitos pelo bloco. Metrópoles

O calendário político adiciona outra dimensão ao problema: 2026 é ano eleitoral no Brasil, e qualquer negociação técnica de grande envergadura com a União Europeia tende a ganhar peso político além do sanitário. Para os produtores rurais, a recomendação de especialistas é diversificar mercados e reforçar os sistemas de rastreabilidade internos, independentemente do desfecho das negociações diplomáticas.

Fontes: Agência Brasil | Metrópoles | Diário do Comércio

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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