A produção brasileira de grãos pode alcançar 366,6 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo projeção divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se confirmada, a estimativa representará o maior volume da série histórica da estatal e ficará aproximadamente 1,4% acima da previsão de 361,7 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26.
Os dados foram apresentados em 18 de setembro de 2026, durante a divulgação da 14ª edição do estudo Perspectivas para a Agropecuária, elaborado pela Conab em parceria com o Banco do Brasil. Como se trata de uma projeção para o início do ciclo, o resultado ainda dependerá do comportamento do clima e do desempenho efetivo das lavouras ao longo da temporada.
Área cultivada deve crescer no próximo ciclo
A área semeada com grãos no país deverá chegar a 85,3 milhões de hectares em 2026/27. O avanço da superfície cultivada tende a compensar uma leve redução esperada na produtividade média das lavouras, de acordo com as perspectivas apresentadas no levantamento.
A expansão da área é um dos principais fatores associados à possibilidade de recorde. Ainda assim, a Conab ressalta que as condições climáticas terão papel decisivo na confirmação dos números, especialmente porque a distribuição das chuvas e o calendário de plantio podem alterar o rendimento das culturas durante o desenvolvimento do ciclo.
Milho e soja concentram as maiores projeções
Entre as principais culturas brasileiras, o milho aparece com produção projetada próxima de 148 milhões de toneladas na safra 2026/27. A cultura permanece entre os principais componentes do volume total de grãos, mas sua produtividade poderá sofrer influência das condições climáticas e do período em que as lavouras forem implantadas.
Para a soja, a estimativa é de 181,64 milhões de toneladas. A área destinada ao cultivo deve alcançar 49,3 milhões de hectares, em uma expansão considerada moderada pela Conab. A oleaginosa continua, assim, como uma das bases da produção agrícola projetada para o país no próximo ciclo.
O algodão também está entre os destaques do levantamento. A área plantada deve retomar o crescimento e atingir aproximadamente 2,09 milhões de hectares, enquanto a produção de pluma é estimada em cerca de 4,15 milhões de toneladas. A evolução dependerá, assim como nas demais culturas, das condições observadas durante a safra.
Estimativa para 2025/26 serve de comparação
A projeção para 2026/27 foi divulgada poucos dias depois de a Conab estimar a safra 2025/26 em 361,7 milhões de toneladas. O volume do ciclo atual foi calculado como 2,6% superior ao da temporada anterior e, naquele momento, considerado o maior resultado da série histórica da companhia.
Com a nova perspectiva, a produção esperada para 2026/27 pode superar o recorde estimado para 2025/26. A diferença, no entanto, ainda não representa um resultado consolidado: os números poderão ser revisados conforme o plantio avance, as lavouras se desenvolvam e novas informações sobre produtividade e clima sejam incorporadas aos levantamentos oficiais.
Carnes devem manter produção acima de 34 milhões de toneladas
O estudo da Conab também apresenta perspectivas para as cadeias de carnes bovina, suína e de frango. A produção conjunta das três proteínas deverá permanecer acima de 34 milhões de toneladas tanto em 2026 quanto em 2027.
Para a carne bovina, a companhia indica a possibilidade de redução da produção em 2027. A previsão está associada à retenção de fêmeas e ao processo de recomposição dos rebanhos, fatores que podem alterar a oferta de animais para abate no período.
As projeções para grãos e proteínas reforçam a dimensão do próximo ciclo para o agronegócio brasileiro. No caso das lavouras, a confirmação de uma safra recorde estará condicionada à combinação entre aumento da área cultivada, produtividade e condições climáticas ao longo de 2026/27.

