Cigarrinha-do-milho e lagartas ganham força com clima mais quente e úmido, exigindo manejo integrado mais rigoroso
O fenômeno El Niño, que traz consigo um padrão climático mais quente e úmido, está intensificando a pressão de pragas nas principais lavouras brasileiras neste ano. Especialistas apontam que insetos como a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) e a lagarta Spodoptera frugiperda devem apresentar avanço expressivo, ao lado de outras espécies que também se beneficiam desse cenário climático. A pergunta que fica para quem produz é direta: como reduzir o impacto econômico dessas pragas sem depender exclusivamente do controle químico, cada vez mais pressionado pela resistência dos insetos?
Por que o clima do El Niño favorece o crescimento populacional das pragas
Em anos marcados pelo El Niño, o ambiente mais quente e mais úmido cria condições ideais para a reprodução acelerada de diversos insetos que atacam as principais culturas do país. Esse aumento de temperatura combinado com maior disponibilidade de umidade acelera o ciclo biológico das pragas, o que significa que elas completam suas fases de desenvolvimento em menos tempo e, consequentemente, geram mais gerações ao longo de uma mesma safra. O resultado prático dessa aceleração é um potencial de dano econômico ampliado, já que a população de insetos na lavoura cresce de forma mais rápida do que em anos com padrão climático mais estável.
Na cultura do milho, a combinação entre estresse climático e instabilidade hídrica tende a intensificar ainda mais a pressão das pragas-chave, exigindo atenção redobrada por parte do produtor rural. Já na soja, especialistas relatam maior incidência de lagartas desfolhadoras, como a falsa-medideira e a Helicoverpa, além do aumento da presença de mosca-branca e percevejos. Esse conjunto de fatores torna o monitoramento constante da lavoura ainda mais importante neste ciclo, já que a janela de tempo entre a identificação do problema e a necessidade de intervenção tende a ser mais curta do que em safras anteriores.
O controle biológico ganha espaço como estratégia central de manejo
Diante desse cenário de maior risco fitossanitário, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) baseado em soluções biológicas tem ganhado força como estratégia central nas lavouras brasileiras. O uso de bioinsumos permite maior seletividade no controle das pragas, preservando os inimigos naturais presentes no ecossistema da lavoura e reduzindo a dependência de inseticidas químicos, cuja eficácia vem sendo comprometida pelo aumento da resistência de diversas espécies de insetos ao longo dos últimos anos.
Entre as tecnologias biológicas disponíveis atualmente, o uso de macrobiológicos tem se destacado especialmente no controle de percevejos em lavouras de soja. Soluções construídas a partir de microvespas, por exemplo, atuam diretamente no controle dos ovos do percevejo-marrom, interrompendo o ciclo da praga antes mesmo que ela alcance o estágio em que costuma causar maior dano econômico à lavoura. Essa abordagem preventiva tende a ser mais eficiente do ponto de vista econômico do que tentar controlar a população de percevejos já em estágio adulto, quando o potencial de dano às vagens de soja já é significativamente maior.
Fungos entomopatogênicos se consolidam no combate à cigarrinha-do-milho
No caso específico da cigarrinha-do-milho, o uso de fungos como o Beauveria bassiana tem se consolidado como uma das principais ferramentas do controle biológico. O fungo age interrompendo a locomoção, a alimentação e a reprodução da praga, o que resulta na sua morte em poucos dias após a aplicação. Diferentemente de um inseticida químico tradicional, o fungo se multiplica dentro do próprio inseto alvo, gerando novos esporos que ajudam a manter o controle na área por um período mais prolongado, o que reduz a necessidade de reaplicações frequentes.
A cigarrinha-do-milho representa um risco particularmente sério para o produtor porque, além dos danos diretos causados pela sucção da seiva das plantas, o inseto também atua como vetor de doenças conhecidas como enfezamentos, capazes de comprometer significativamente o rendimento e a qualidade dos grãos. Em algumas lavouras, o potencial de prejuízo causado por essa praga pode chegar a proporções bastante elevadas quando o controle não é realizado de forma adequada e no momento correto do desenvolvimento da cultura.
Diante desse conjunto de desafios, a recomendação técnica que se consolida entre entomologistas é a de que o produtor combine estratégias, unindo o efeito de choque proporcionado pelo controle químico com o efeito residual mais prolongado oferecido pelos biológicos. Essa combinação, conhecida como manejo conjunto, tende a entregar resultados mais consistentes do que a adoção isolada de qualquer uma das duas abordagens, especialmente em um ano de El Niño, quando a pressão das pragas sobre as lavouras brasileiras deve permanecer elevada até o fim do ciclo produtivo.
Fontes consultadas:
Brasil Notícia: https://brasilnoticia.com.br/agronegocio/el-nino-em-2026-deve-aumentar-pressao-de-pragas-e-reforca-uso-de-controle-biologico-no-agronegocio/
Agroceres Binova: https://agroceresbinova.com.br/blog/biologicos/controle-biologico-da-cigarrinha-do-milho/

