Redesenho de processos com sistemas legados: como integrar o que “não conversa” dentro de uma grande empresa

Diego Velázquez
Diego Velázquez
5 Min de leitura
Vert Analytics

Toda empresa que cresceu ao longo de décadas carrega, dentro de si, uma coleção de sistemas que nunca foram desenhados para conversar entre si. Um sistema de vendas de uma geração, um sistema financeiro de outra, um sistema de atendimento implementado anos depois: cada um resolve bem o seu próprio pedaço da operação, mas nenhum foi construído pensando nos outros dois.

O MAIN, plataforma de agentes autônomos da Vert Analytics, encontra justamente nesse tipo de ambiente fragmentado boa parte dos projetos em que atua, porque redesenhar um processo de ponta a ponta exige, antes de qualquer automação, resolver essa desconexão entre sistemas que nunca foram pensados juntos.

Por que sistema legado não é sinônimo de sistema ruim

Um sistema legado costuma carregar um estigma injusto: a ideia de que, por ser antigo, é necessariamente inadequado. Na prática, muitos desses sistemas continuam cumprindo bem a função original para a qual foram construídos. O problema não é a qualidade do sistema isolado, é a ausência de comunicação entre ele e os sistemas que vieram depois.

Um sistema de crédito construído há quinze anos pode processar transações com absoluta confiabilidade, mas se ele não consegue trocar informação automaticamente com o sistema de atendimento ao cliente implementado no ano passado, qualquer processo que dependa dos dois precisa de alguém copiando informação manualmente de um lado para o outro.

O que significa, na prática, integrar o que não se comunica?

Redesenhar um processo com sistemas legados não significa substituir tudo por tecnologia nova, significa construir uma camada capaz de traduzir e conectar informação entre sistemas que falam, cada um, sua própria linguagem interna. O agente autônomo assume essa função de tradutor e integrador, capturando dado de um sistema, adaptando o formato necessário e entregando essa informação ao sistema seguinte sem depender de intervenção manual.

Um processo de abertura de conta que hoje depende de um funcionário consultando três sistemas diferentes e digitando a mesma informação em cada um deles pode passar a ter um agente cumprindo essa ponte sozinho, integrando os três sistemas automaticamente e liberando a pessoa para tarefas que realmente exigem julgamento.

O risco de tentar redesenhar sem entender o legado primeiro

Um projeto de redesenho que ignora as particularidades dos sistemas legados existentes corre o risco de criar uma nova camada de automação que ainda depende, por trás, de processos manuais escondidos para funcionar. Entender profundamente como cada sistema antigo armazena e organiza informação é pré-requisito para que a integração automatizada realmente elimine o trabalho manual, e não apenas o disfarce atrás de uma interface nova.

Esse diagnóstico de sistemas legados costuma consumir tempo considerável no início de um projeto, mas é o que determina se a automação resultante vai funcionar de forma consistente ou vai quebrar na primeira exceção que os sistemas antigos não foram desenhados para tratar.

O que muda quando a integração deixa de depender de pessoa?

Quando agentes autônomos assumem a tradução entre sistemas legados, o tempo que antes era gasto copiando e conferindo informação manualmente passa a ser redirecionado para atividades que exigem julgamento humano real, como analisar um caso atípico ou decidir uma exceção que o sistema sinaliza para revisão.

Isso muda a proporção entre trabalho operacional repetitivo e trabalho de análise dentro de uma equipe, sem exigir que a empresa substitua a infraestrutura que já tem funcionando.

Por que esse tipo de projeto costuma ser subestimado em complexidade?

Integrar sistema legado é, com frequência, mais complexo do que implementar tecnologia nova do zero, porque exige entender decisões de arquitetura tomadas anos atrás, muitas vezes sem documentação completa sobre o motivo daquela escolha original. Empresas que subestimam essa complexidade tendem a atrasar cronograma de projeto ou a entregar uma integração frágil, que funciona bem no teste e falha diante da primeira situação que os sistemas antigos tratam de forma inesperada.

Reconhecer essa complexidade desde o início, em vez de tratá-la como detalhe técnico menor, costuma ser o que separa um projeto de redesenho que realmente elimina trabalho manual de um que apenas move essa carga manual para outro lugar da operação.

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