Conab projeta produção de carnes acima de 34 milhões de toneladas em 2026 e 2027

Agronegócios Notícias
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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta que a produção brasileira de carnes bovina, suína e de aves alcance 34,08 milhões de toneladas em 2026. O volume representa alta de 2% em relação a 2025. Para 2027, a estimativa indica novo avanço, com a produção chegando a 34,26 milhões de toneladas.

As projeções foram apresentadas em 15 de setembro de 2026, durante o evento Perspectivas para a Agropecuária Safra 2026/27. O material oficial foi atualizado pela Conab em 22 de setembro. O cenário traçado pela companhia mostra comportamentos distintos entre as principais cadeias de proteínas animais, com maior contribuição de aves e suínos e uma redução esperada na produção bovina.

Frango deve liderar crescimento entre as proteínas

Na avicultura, a Conab estima uma produção de 16,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2026. O resultado representa crescimento de 3,1% sobre o ano anterior. Para 2027, a previsão é de que o volume avance para 16,7 milhões de toneladas, mantendo a cadeia de aves como uma das principais responsáveis pelo aumento da produção de carnes no Brasil.

As exportações também devem contribuir para o desempenho do setor. Segundo a projeção, os embarques de carne de frango podem alcançar 5,76 milhões de toneladas em 2026, após a recuperação das compras internacionais. A estimativa reforça a importância do mercado externo para a avicultura brasileira, ao mesmo tempo em que o aumento da produção amplia a oferta total da proteína.

Suinocultura avança com mais matrizes e produtividade

A produção de carne suína está estimada em 5,93 milhões de toneladas em 2026. Para 2027, a expectativa é de crescimento para 6,15 milhões de toneladas. De acordo com a Conab, o avanço deve ser impulsionado pela expansão do plantel de matrizes e por ganhos de produtividade na cadeia.

O desempenho projetado para a suinocultura contribui para compensar parte da redução prevista na produção bovina. Com o crescimento simultâneo das cadeias de aves e suínos, o conjunto das proteínas analisadas pela Conab deve manter uma trajetória positiva nos próximos dois anos, apesar das diferenças nos ciclos produtivos e na disponibilidade de animais.

Produção bovina deve recuar em 2026 e 2027

Para a pecuária bovina, a perspectiva é diferente. A produção deve cair levemente para 11,84 milhões de toneladas em 2026 e recuar novamente, para 11,41 milhões de toneladas, em 2027. A Conab relaciona esse movimento à menor disponibilidade de animais para abate, em um processo associado à retenção de fêmeas e à recomposição dos rebanhos.

A redução projetada não impede, porém, o avanço das exportações brasileiras de carne bovina. Os embarques podem chegar a 4,73 milhões de toneladas em 2026. Para 2027, a estimativa é de aproximadamente 4,843 milhões de toneladas, embora em ritmo mais moderado. Os números mostram que produção e exportações podem seguir trajetórias diferentes, especialmente em um período de ajuste do ciclo pecuário.

Disponibilidade interna deve permanecer próxima de 22 milhões de toneladas

Mesmo com o crescimento das vendas externas e a queda esperada na produção bovina, a disponibilidade interna do conjunto das carnes bovina, suína e de aves deve permanecer próxima de 22 milhões de toneladas. A projeção indica manutenção do abastecimento doméstico no período analisado pela companhia.

Além das carnes, a produção de ovos também deve avançar. A Conab estima 49,7 bilhões de unidades em 2026 e 51,3 bilhões em 2027. O resultado amplia o quadro de crescimento das proteínas de origem animal, com desempenho positivo tanto na produção de frango e suínos quanto na oferta de ovos.

Projeções refletem ciclos diferentes no agronegócio

Os dados da Conab evidenciam que as cadeias da produção de carnes no Brasil atravessam momentos distintos. A avicultura e a suinocultura têm perspectivas de expansão apoiadas, respectivamente, pelo aumento da produção de frango, pela recuperação das exportações, pela ampliação do plantel de matrizes e pelos ganhos de produtividade.

Na bovinocultura, a retenção de fêmeas e a recomposição dos rebanhos reduzem a disponibilidade imediata de animais para abate. Ainda assim, as exportações projetadas permanecem elevadas. A combinação desses fatores deve manter o setor de proteínas animais como uma frente relevante do agronegócio brasileiro em 2026 e 2027.

Fonte: Conab. As projeções integram o estudo Perspectivas para a Agropecuária, Volume 14, Safra 2026/2027.

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