Fertilizantes mais caros pesam no planejamento da safra 2026/27

Emil Vardensen
Emil Vardensen
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Para quem já começou a organizar o custeio da próxima temporada, uma pergunta tem se tornado recorrente nas conversas entre produtores: por que os fertilizantes estão custando mais, mesmo com menos volume importado? A resposta passa por uma combinação de fatores globais e por uma resposta recente do Congresso, que pode mudar o cenário de médio prazo para quem depende desses insumos.

O que mudou nas importações

Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil reduziu em 7,4% o volume de fertilizantes importado, mas mesmo assim os gastos com essas compras subiram, chegando a US$ 8,8 bilhões no período. Câmbio, custos logísticos e riscos geopolíticos ajudam a explicar por que menos volume resultou em mais despesa, um cenário que preocupa quem depende desses insumos para bancar o próximo ciclo produtivo.

Em agosto, o Senado Federal aprovou o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, conhecido como Profert. A proposta busca incentivar a produção nacional de fertilizantes e reduzir a exposição do país às oscilações do fornecimento internacional, justamente em um momento marcado por mudanças nos fluxos globais e maior cautela nas negociações para a safra 2026/27.

Previsibilidade de entrega ganha peso na decisão de compra

Diante desse cenário mais instável, especialistas do setor têm chamado atenção para um ponto que muitas vezes passa despercebido: o custo de uma compra de fertilizante não se resume ao preço listado. Qualidade constante, logística confiável e suporte técnico também entram na conta final, especialmente quando atrasos na entrega podem comprometer toda a janela de plantio.

Esse aumento de custo com insumos chega em um momento delicado para quem já lida com taxas de juros mais altas no crédito rural. O Plano Safra recente trouxe volume recorde de recursos, mas também elevou os juros nas linhas controladas, reflexo direto do patamar elevado da Taxa Selic. Combinar fertilizante mais caro com crédito mais caro exige do produtor um planejamento financeiro mais apertado do que em safras anteriores.

Diante desse cenário, a recomendação prática que tem circulado entre técnicos e cooperativas é simples: negociar contratos de fertilizante com antecedência, considerando a previsibilidade de entrega tanto quanto o preço, e buscar linhas de crédito rural o quanto antes, já que os recursos equalizados tendem a se esgotar ao longo do ciclo do Plano Safra.

O que esperar dos próximos meses

Se o Profert conseguir atrair investimento suficiente para ampliar a produção nacional de fertilizantes, o Brasil pode reduzir gradualmente sua dependência de fornecedores externos nos próximos anos. Até lá, porém, o produtor rural segue exposto às oscilações do mercado internacional, o que reforça a importância de acompanhar de perto tanto o câmbio quanto os relatórios de fornecimento global de nutrientes para o campo.

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