Por que a escolha da semente virou decisão estratégica antes mesmo do plantio

Emil Vardensen
Emil Vardensen
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Antes de qualquer trator entrar na lavoura, uma decisão silenciosa já define boa parte do resultado da safra: a escolha da semente. Em um momento de margens mais apertadas e clima cada vez mais imprevisível, entender o que está por trás dessa escolha ajuda o produtor a reduzir riscos logo na largada do ciclo produtivo.

O dia 21 de agosto marcou o Dia da Semente, data lembrada pela Amssoja Brasil, associação que reúne os multiplicadores de sementes de soja no país. Para a entidade, a tecnologia embarcada nas sementes certificadas representa uma das principais ferramentas para aumentar a eficiência produtiva e reduzir riscos justamente em um momento de maior pressão sobre a rentabilidade da atividade agrícola.

Segundo o presidente da Amssoja Brasil, André Schwening, compreender o valor da semente é compreender a própria trajetória da agricultura brasileira, já que toda a cultura da soja depende dela para se desenvolver por meio da genética e da inovação acumulada ao longo de anos. Cada semente certificada carrega, na prática, um processo de pesquisa, validação e multiplicação que pode levar vários anos antes de chegar efetivamente ao campo.

Relatório aponta ambiente desafiador para 2026/27

O relatório Agro Conjuntura Céleres, referente a julho de 2026, já vinha sinalizando um cenário mais difícil para a safra que se aproxima. Nesse contexto, especialistas recomendam que os multiplicadores de sementes fortaleçam a certificação, otimizem custos por meio da renegociação de dívidas e invistam em tecnologias de precisão no processamento e tratamento das sementes.

O tema também ganhou espaço em simpósios técnicos recentes, como o dedicado às sementes forrageiras dentro da programação científica de um congresso do setor, que reuniu pesquisadores da Embrapa e representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária. Entre os assuntos discutidos estava o uso da inteligência artificial no combate ao comércio ilegal de sementes, além dos avanços em edição gênica aplicados ao melhoramento genético.

No campo da biotecnologia aplicada, novas gerações de eventos biotecnológicos prometem oferecer proteção mais ampla nas próximas safras. No milho, novas combinações de proteínas Bt e tecnologias de proteção radicular buscam reduzir perdas de produtividade, enquanto na soja crescem as cultivares com maior resistência a lagartas, doenças e estresses ambientais. Também ganha espaço o desenvolvimento de materiais com baixa reprodução de nematoides, praga que historicamente compromete o sistema radicular das plantas.

Some-se a isso o avanço da agricultura de precisão, que passou a integrar dados de clima, solo e genética para orientar a escolha da cultivar mais adequada a cada ambiente de produção. Essa abordagem, conhecida no meio técnico como genótipo, ambiente e manejo combinados, tem sido cada vez mais utilizada para explicar variações de produtividade e apoiar decisões mais eficientes dentro da porteira.

O que isso significa na prática para o produtor

Em um cenário de custos elevados e margens apertadas, sementes, biotecnologia e manejo de precisão têm se consolidado como pilares centrais da competitividade agrícola brasileira. Para quem está organizando o plantio da safra 2026/27, isso significa que investir tempo na escolha da cultivar certa pode valer tanto quanto qualquer decisão tomada depois que a lavoura já estiver formada

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