Paulo Roberto Gomes Fernandes, executivo da empresa Liderroll Indústria e Comércio de Suportes, destaca a necessidade brasileira por mais gás natural tem levado profissionais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) a buscar alternativas estratégicas para o setor. Embora haja expectativa quanto ao gás do pré-sal e estudos na Margem Equatorial, o cenário atual exige soluções imediatas. De um lado, as reservas bolivianas apresentam declínio; por outro, surge o potencial do gás argentino de Vaca Muerta, a segunda maior reserva de shale gás do mundo. Contudo, esse caminho enfrenta desafios logísticos significativos para o suprimento das regiões Norte e Nordeste.
Como viabilizar o transporte de gás da Argentina?
Para superar esses obstáculos, surge a necessidade premente de construir um gasoduto conectando Vaca Muerta, no extremo sul da Argentina, à fronteira brasileira, em um percurso superior a mil quilômetros. O custo estimado para essa obra, utilizando métodos tradicionais de tubulação enterrada, alcança a cifra de R$ 7 bilhões. No entanto, o executivo aponta que o método de construção com tubos aparentes (já amplamente difundido internacionalmente) poderia reduzir esse investimento em cerca de um terço.
Diante desse cenário e valendo-se de sua expertise internacional, Paulo Roberto Gomes Fernandes sugere a realização de uma reunião de alto nível com as principais lideranças do setor. O objetivo é reunir os presidentes da TAG (Gustavo Labanca), Transpetro (Sergio Bacci), NTS (Erick Portela), TBG (Angélica Laureano) e BNDES (Aloisio Mercadante), além de representantes da Pan American Energy, ANP e EPE.

Por que investir em novas tecnologias de construção?
Paulo Roberto Gomes Fernandes aponta que a inovação é fundamental, lembrando que a Liderroll é a única empresa brasileira reconhecida internacionalmente pela Sociedade Americana de Engenheiros Mecânicos (ASME) por sua criatividade construtiva. “Desde 2011, trago este tema para o debate. Já desenvolvemos métodos revolucionários para qualquer desafio geográfico, seja em montanhas, túneis ou projetos sob lagos”, afirma o executivo.
Quanto à segurança, o modelo aparente é superior em durabilidade. “Eles seriam ainda mais seguros, pois a tubulação enterrada sofre com a umidade e as agressões químicas do substrato geológico, o que acelera a corrosão”, explica. Segundo o executivo, o sistema de roletes desenvolvido pela Liderroll permite que a tubulação suporte variações de temperatura sem sofrer desgaste natural ou pontos de tensão.
Qual é o panorama atual da malha brasileira?
Atualmente, o Brasil possui uma malha total de 45 mil km, mas apenas 9,5 mil km são destinados ao transporte de gás natural, um número reduzido para um país de dimensões continentais. Em comparação, a Argentina, territorialmente menor, dispõe de mais de 16 mil km de dutos de transporte. Ademais, a infraestrutura nacional concentra-se na distribuição (35,5 mil km), que leva o gás aos consumidores finais.
Para viabilizar empreendimentos deste porte, a proposta é que haja um esforço conjunto entre os diversos interesses econômicos. O executivo acredita que um encontro entre essas organizações seria extremamente benéfico, seguindo o modelo de debate de alto nível praticado por grandes petroleiras mundiais. Paulo Roberto Gomes Fernandes frisa que a integração de diferentes competências é vista como o caminho para romper o marasmo econômico e impulsionar o crescimento da infraestrutura energética nacional.
Qual o papel das instituições no processo?
Nesse contexto, a participação de entidades como a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN) é considerada essencial. A sugestão é que a discussão seja capitaneada por quem domina o tema regional e setorialmente. Por fim, Paulo Roberto Gomes Fernandes enfatiza que o foco deve ser o desenvolvimento brasileiro e a superação de barreiras históricas. Ao tratar de pessoas em contextos profissionais e sociais, deve-se sempre priorizar a dignidade e evitar termos que reforcem exclusões, garantindo que o progresso econômico seja acompanhado por uma comunicação clara e inclusiva.
Autor: Katrina Ludge

